O Computador no Brasil
03 Novembro, 2007
Em uma aula do meu curso de Engenharia de Computação da USP desta semana, o professor comentou a história do Patinho Feio, nome dado ao primeiro computador desenvolvido no Brasil.
É interessante quando percebemos que com o aprendizado da faculdade você começa a lidar com coisas cada vez mais recentes e atuais. Eis que o responsável pela parte principal do Patinho Feio era justamente esse meu professor, conhecido por Fregni.
A história começa em 69, com a inauguração do Laboratório de Sistemas Digitais dentro da Poli (LSD.. e reparem que foi no ano de WoodStock… nome sugestivo para época…rs). Um dos objetivos que tal laboratório traçara era o de projetar um computador no Brasil.
Assim eles trazem um engenheiro da IBM, Glen Langdon, para ajudar a construir esse computador. Glen soube lidar com a responsabilidade, não limitou-se a dar o peixe, ensinou a pescar. Começou com um curso de pós-graduação de um ano de duração e no qual a prova final foi a especificação das características de um computador.
Glen então escolheu uma das provas e montou a equipe que construiria o primeiro computador brasileiro, utilizando o modelo de um dos alunos. Professores da USP foram divididos no gerenciamento de cada uma das partes do computador. E o projeto caminhava normalmente quando veio um grande incentivo…
Em 1972, época de ditadura, a Marinha brasileira lança um programa de desenvolvimento de um computador para utilizar nos navios que havia adquirido da Inglaterra.
A equipe da USP despontava como grande favorita para o Hardware desse computador, pois era a única com um projeto do tipo já em andamento. Mas a eis que a recém-criada Unicamp traz um profissional do exterior para coordenar um projeto que eles intitularam “Cisne Branco”, em referência à Marinha.
O relato do meu professor é fascinante. Ver uma pessoa que esteve lá, fazendo parte da história, e suas reações. Conta que a equipe da USP ficou toda assustada com a divulgação do “Cisne Branco” feita pela Unicamp. Os professores da Poli até então sem concorrentes viam nascer um campeão estampado nas páginas do jornal. Mas depois do golpe, eles se reergueram e um professor lançou a idéia: “se eles são o Cisne Branco, o nosso Patinho Feio vai lá e vai ganhar essa parada”. A motivação foi tremenda.
A vantagem de uma equipe que já tinha um projeto em fase de testes foi determinante para escolha do Patinho Feio pela Marinha. O Patinho Feio, inclusive, encontra-se ainda hoje nos campos da Poli, ali pelos lados da Administração.
Adoro a sensação de ter aulas com alguém que faz parte da história do Brasil, ou pelo menos do computador no Brasil. É difícil imaginar que poderemos ser nós, um dia, a fazer a história do nosso país… Bacana!